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Delivery

A margem real de um pedido de entrega, rubrica a rubrica

O que realmente sobra num pedido de entrega: comissão, IVA, food cost, embalagem e margem de preço, rubrica a rubrica, com exemplos numéricos prontos a usar.

Aggiornato: 02/06/2026
Leitura7 min

Tema: Delivery. Inclui fórmulas, exemplos e calculadoras relacionadas.

Indice
  1. Resposta rápida
  2. Porque a margem de entrega não é o que parece
  3. As rubricas a subtrair, por ordem
  4. O exemplo numérico completo
  5. Como a margem muda ao mover as alavancas
  6. O papel da margem de preço na app
  7. Que pratos pôr (e tirar) do menu de entrega
  8. Erros comuns
  9. Recursos relacionados

Resposta rápida

Num pedido de entrega quase nunca sobra o que pensa. Do preço bruto que o cliente paga há que retirar, por ordem: a comissão da plataforma, o IVA sobre a comissão, o food cost e a embalagem. Num pedido típico de 30 € com comissão de 30%, a margem de contribuição real desce para cerca de 8-9 € (27-30%), e não os 21 € que um 30% "seco" sugeriria. Só construindo a demonstração de resultados rubrica a rubrica é que vê quais pratos aguentam e quais trabalham em prejuízo.

Porque a margem de entrega não é o que parece

O erro mais comum é tratar o preço de venda como se fosse receita líquida. Na entrega nunca é. Entre si e o cliente está uma plataforma que retém uma percentagem, impostos que se somam e custos de material que na sala não existem ou são irrelevantes.

O resultado é que o mesmo prato tem uma margem na sala e outra completamente diferente na entrega. Quem não separa as duas contas chega ao fim do mês com a faturação a subir e o lucro estagnado, ou pior, a descer. A entrega gera volume, mas volume sem margem é só trabalho que não paga.

Para raciocinar bem é preciso um conceito: a margem de contribuição por pedido. É o que sobra após os custos variáveis (comissão, IVA, food cost, embalagem) e tem de cobrir os custos fixos (pessoal, renda, energia) e deixar lucro.

As rubricas a subtrair, por ordem

Construamos a sequência completa. Cada rubrica aplica-se na ordem certa, porque algumas se calculam sobre o bruto e outras sobre o valor da rubrica anterior.

  1. Preço bruto do cliente: o que o cliente vê e paga na app, IVA da comida incluído.
  2. Comissão da plataforma: percentagem sobre o bruto, não sobre o líquido. Normalmente 28-32% se a plataforma entrega.
  3. IVA sobre a comissão: a plataforma fatura a comissão com IVA. Um negócio no regime normal recupera-o, mas pesa na tesouraria e no cálculo imediato.
  4. Food cost: o custo das matérias-primas do prato. Calculado sobre o valor do prato, não sobre o bruto inflado pela margem de preço da app.
  5. Embalagem: caixas, tampas, talheres, sacos, selos. Uma rubrica que na sala quase não existe.

O que sobra após estas quatro subtrações é a margem de contribuição. Daí, em separado, imputam-se os custos fixos.

O exemplo numérico completo

Tomemos um pedido único de 30 € brutos, com entrega da plataforma a 30%, food cost a 30% e embalagem a 4%.

| Rubrica | Cálculo | Valor | |---|---|---| | Preço bruto do cliente | — | 30,00 € | | − Comissão 30% | 30 × 0,30 | −9,00 € | | − IVA 23% sobre comissão | 9 × 0,23 | −2,07 € | | − Food cost 30% | 30 × 0,30 | −9,00 € | | − Embalagem 4% | 30 × 0,04 | −1,20 € | | Margem de contribuição | — | 8,73 € |

De 30 € recebidos sobram-lhe 8,73 €, ou seja 29,1%. Sobre isto ainda tem de cobrir pessoal, renda e energia. O mesmo prato na sala, sem comissão nem IVA sobre ela, deixaria cerca de 18 € de margem bruta: mais do dobro.

A fórmula resumida é:

Margem = Bruto − (Bruto × %com) − (Bruto × %com × 0,23) − Food cost − Embalagem

Para testar as suas percentagens reais prato a prato, use a calculadora de margem de prato: muda food cost e preço e vê de imediato onde está a perder dinheiro.

Como a margem muda ao mover as alavancas

A margem não é um número fixo: depende de quatro alavancas que pode mover. Eis o mesmo pedido de 30 € em configurações diferentes.

| Cenário | Comissão | Food cost | Embalagem | Margem | % | |---|---|---|---|---|---| | Base | 30% | 30% | 4% | 8,73 € | 29% | | Food cost alto | 30% | 38% | 4% | 6,33 € | 21% | | Entrega própria | 18% | 30% | 4% | 12,87 € | 43% | | Com margem +12% app | 30% | 27%* | 4% | 11,16 € | 33% |

*Com margem de preço, o food cost em percentagem desce porque o preço de venda sobe mantendo o custo das matérias-primas.

A tabela diz três coisas. Primeiro: o food cost alto destrói a margem mais do que a comissão. Segundo: passar a estafetas próprios muda radicalmente as contas, mas só se tiver volume para amortizar os custos fixos. Terceiro: uma margem de preço controlada no menu da app recupera boa parte do que a comissão leva.

O papel da margem de preço na app

Subir os preços na app face à sala é prática comum e legítima, dentro de certos limites. Um +10-15% é a faixa habitual: absorve a comissão sem assustar o cliente.

Mas atenção a duas coisas. A primeira são as cláusulas de paridade de preço: alguns contratos proíbem mostrar preços mais altos na app do que na sala. Leia o contrato antes de aplicar a margem. A segunda é a perceção do cliente: uma margem demasiado agressiva baixa a conversão e reduz o ticket médio.

A margem de preço deve ser ajustada por prato, não de forma uniforme. Os pratos de food cost baixo (pizza, massa seca, fritos) aguentam bem a entrega mesmo sem margem forte; os de food cost alto (peixe, carnes nobres) precisam de margem maior ou de sair do menu da app.

Que pratos pôr (e tirar) do menu de entrega

Nem todo o menu deve ir para a app. A seleção é uma das alavancas de margem mais subestimadas.

  • Manter: pratos de food cost baixo que aguentam o transporte e chegam como na sala. Pizza, massas, bowls, sandes com corpo.
  • Avaliar com margem: pratos de food cost médio que o cliente pede na mesma. Mantêm-se, mas com preço de app mais alto.
  • Tirar: pratos que chegam estragados (fritos delicados, empratamentos complexos) ou com margem demasiado baixa depois de retirada a comissão. Geram reembolsos, más avaliações e prejuízos.

Um menu de entrega construído para a margem, e não simplesmente copiado da sala, pode subir a margem média por pedido vários pontos sem mexer num único preço.

Erros comuns

  • Usar o preço líquido em vez do bruto para a comissão: a plataforma aplica sempre a percentagem sobre o bruto com IVA. Errar aqui subestima o custo.
  • Esquecer o IVA sobre a comissão: um 30% "seco" torna-se de facto um peso perto de 37% depois de somado o IVA.
  • Ignorar a embalagem: 3-6% do pedido parece pouco, mas em centenas de pedidos por mês é uma rubrica pesada.
  • Tratar todos os pratos por igual: uns aguentam a entrega, outros trabalham em prejuízo. Vender tudo na app sem distinguir é o erro mais caro.
  • Confundir faturação com margem: a entrega infla a faturação mas pode deixar o lucro estagnado. Conte sempre a margem de contribuição por pedido.
  • Não separar a conta da sala e da entrega: são dois negócios diferentes com margens diferentes. Juntá-los esconde os prejuízos do canal.

Recursos relacionados

  • Calculadora de margem de prato — quanto cada prato lhe deixa após o food cost
  • Calculadora de comissões de entrega — o que realmente lhe sobra em cada pedido, IVA incluído
Respostas rápidas

Perguntas frequentes

Qual é a margem real média de um pedido de entrega?

Depois da comissão, do IVA sobre a comissão, do food cost e da embalagem, um pedido típico deixa entre 20% e 30% do bruto. Num pedido de 30 € são cerca de 6-9 € para cobrir pessoal, renda e lucro. Na sala, sem comissão, sobra muito mais.

Como calculo rubrica a rubrica a margem de um pedido de entrega?

Parta do preço bruto do cliente, subtraia a comissão, depois o IVA sobre a comissão, a seguir o food cost e a embalagem. O que sobra é a margem de contribuição. Daí descontam-se os custos fixos imputados. Uma calculadora evita erros.

A entrega dá prejuízo se eu usar os mesmos preços da sala?

Em muitos pratos, sim. Sem uma margem de preço de 10-15% na app, a comissão mais o IVA consome quase toda a margem bruta. Os pratos de food cost baixo aguentam; os de food cost alto ficam no zero ou em prejuízo.

Qual o peso da embalagem na margem de entrega?

Entre 3% e 6% do valor do pedido, conforme os materiais. Caixas, talheres, sacos e selos parecem pouco à unidade, mas com muito volume tornam-se uma rubrica que altera a margem final.

Compensa apostar no canal direto em vez das apps?

Sim, quando já tem uma base de clientes. Um pedido pelo seu site ou WhatsApp é comissão zero: o mesmo prato pode deixar-lhe 15-20% mais de margem. As apps servem para o darem a conhecer; o canal direto, para fidelizar.