Resposta rápida
Não existe vencedor absoluto: depende do volume e da densidade da sua região. As plataformas custam muito em comissão (25-30% mais taxas) mas não têm custo fixo: você só paga se vende. A entrega própria tem comissão zero, mas custos fixos altos (entregadores, veículos, software). Abaixo de certo limite de pedidos compensa a plataforma; acima dele, compensa a entrega própria. O ponto de equilíbrio se calcula, não se adivinha.
As duas lógicas de custo frente a frente
A diferença chave entre os dois modelos não é a porcentagem: é a estrutura de custos.
- Plataforma = custo variável. Você paga uma porcentagem por cada pedido. Zero pedidos, zero custo. O risco é baixo, mas o custo por pedido fica alto para sempre, mesmo quando você cresce.
- Entrega própria = custo fixo. Você paga salários, veículos e software independentemente dos pedidos. O custo por pedido é altíssimo se vende pouco, mas despenca conforme o volume sobe.
É a mesma lógica de alugar um carro por um dia (variável) ou comprá-lo (fixo): abaixo de certa quilometragem compensa alugar, acima compensa comprar. Todo o debate entrega própria ou plataformas gira em torno de onde cai esse ponto de equilíbrio.
Quanto custa o canal plataforma
Nas plataformas você paga uma comissão percentual sobre o valor bruto do pedido, e ainda há taxas de transação e do pagamento online por cima. As faixas de mercado:
| Modelo de plataforma | Comissão típica | Custo fixo | |---|---|---| | Só vitrine (entregadores seus) | 12-20% | Nenhum | | Entrega inclusa | 25-30% | Nenhum | | Com patrocínio / destaque | +5-10% extra | Variável |
Em um pedido de R$ 60 com entrega inclusa a 27%, o custo real passa de R$ 18 quando você soma a taxa de pagamento online. Para não errar em cada configuração, use a calculadora de comissões de delivery: ela mostra quanto sobra de verdade depois de comissão e taxas.
Quanto custa a entrega própria
Aqui os custos são fixos e devem ser estimados com honestidade. As rubricas principais de um entregador em tempo integral:
| Rubrica | Custo mensal indicativo | |---|---| | Salário + encargos | R$ 2.200-2.900 | | Veículo (depreciação ou aluguel) | R$ 300-600 | | Combustível / energia | R$ 200-400 | | Seguro e manutenção | R$ 100-250 | | Software de gestão de pedidos | R$ 50-150 | | Total mensal | ~R$ 2.850-4.300 |
Tomemos um custo médio de R$ 3.500 por mês. Se esse entregador faz 15 pedidos por dia em 26 dias, são 390 pedidos no mês: o custo por entrega é R$ 8,97. Se faz 25 por dia (650 no mês), cai para R$ 5,38. O volume é tudo.
O ponto de equilíbrio: o exemplo numérico
Vamos comparar os dois modelos no mesmo pedido médio de R$ 60, com comissão de plataforma de 27% mais taxa de pagamento.
Custo do canal plataforma por pedido:
Comissão 27% sobre R$ 60 = R$ 16,20
Taxa de pagamento online ~3% = R$ 1,80
Custo plataforma por pedido = R$ 18,00
Custo da entrega própria por pedido, conforme o volume (entregador a R$ 3.500/mês):
| Pedidos/dia por entregador | Pedidos/mês | Custo por entrega | |---|---|---| | 10 | 260 | R$ 13,46 | | 15 | 390 | R$ 8,97 | | 20 | 520 | R$ 6,73 | | 25 | 650 | R$ 5,38 |
A entrega própria bate a plataforma (R$ 18,00 por pedido) já com 10 pedidos por dia neste exemplo. Mas atenção: essa comparação só vale se esses pedidos existirem. A plataforma traz demanda; a entrega própria exige que você gere os pedidos por conta própria.
O verdadeiro custo oculto da entrega própria: a demanda
O cálculo acima tem um limite enorme: presume que o entregador está sempre cheio. Na prática, tirar as plataformas significa perder a vitrine delas. A maioria dos pedidos de delivery nasce porque o cliente abre o app e encontra você lá.
Para encher a sua entrega própria você precisa construir demanda com seus próprios meios: site de pedidos, perfil do Google otimizado, WhatsApp Business, fidelização, panfletagem na região. É trabalho de verdade e tem custo. Por isso o modelo que quase sempre funciona é híbrido:
- Você permanece nas plataformas pela visibilidade e pelas regiões distantes.
- Em cada embalagem coloca um recado: "Peça direto, mesmo preço, entrega mais rápida".
- Migra aos poucos os clientes fiéis para o canal direto, onde a comissão é zero.
Assim seu entregador próprio faz sobretudo pedidos diretos de alta margem, e as plataformas ficam como canal de aquisição, não como sua única fonte.
Tabela de decisão rápida
| Situação | Modelo recomendado | |---|---| | Poucos pedidos, região ampla | Só plataformas | | Volume alto, região concentrada | Entrega própria (+ plataformas para captar) | | Marca pouco conhecida | Plataformas para ser encontrado | | Clientela fiel e recorrente | Impulsionar o canal direto | | Ticket médio alto | A entrega própria compensa antes | | Ticket médio baixo e muitos pedidos | A comissão percentual dói muito: avalie a própria |
Erros comuns
- Comparar só a porcentagem. Os 27% de comissão não se comparam com o "zero" da entrega própria: a própria tem custos fixos que precisam ser divididos pelos pedidos reais.
- Subestimar o custo do entregador. Muitos contam só o salário e esquecem veículo, combustível, seguro e tempos ociosos entre entregas.
- Achar que tirar as plataformas não mexe no volume. A vitrine da plataforma traz demanda: sem um plano de aquisição direta, a entrega própria fica vazia.
- Ignorar as cláusulas de paridade de preço. Alguns contratos proíbem mostrar preços mais baixos no seu canal: leia antes de prometer descontos no site.
- Não separar por região. A própria funciona no raio curto e denso; deixe as regiões distantes para a plataforma.
- Esquecer os tempos ociosos. Um entregador não faz 25 pedidos seguidos sem pausas: no cálculo do custo por entrega, use volumes realistas, não teóricos.
Recursos relacionados
- Calculadora de comissões de delivery — quanto sobra de verdade em cada pedido na plataforma, taxas incluídas, para comparar com o custo da sua entrega própria